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Airton Noir Entrevista

Então a um século atrás consegui arrancar algumas palavras do Airton Noir, sou suspeita para falar tento em vista me tombo pela banda, mais relendo hoje a pequena enquete achei que deveria dividir com vcs. A entrevista não foi um bate papo (feita por e-mail), mais deu pra arrancar algumas coisas do Airton, falando sobre os trabalhos Affets e Dead Pop, um pouco sobre a rotina, da banda um pouco da sua influência musical e meio Alternativo. E para ilustrar a postagem uma serie de coletâneas com Plastique Noir e outras tantas bandas que merecem destaque. 

Comecei perguntando sobre os trabalhos da Banda o ultimo álbum, Affets, Airton Noir ”Acho que foi um disco mais caprichado, desde a concepção, passando pela montagem da track list até a produção. Rolaram alguns desafios aí: manter o minimalismo, ao mesmo tempo dar um up na complexidade e por fim tentar cunhar alguns hits em proporção pelo menos semelhante ao do Dead Pop, que certamente, não sei se por ser o debut ou não, tem as faixas mais conhecidas pelo público. Se conseguimos ou não, aí é com cada um que escutou e avaliou.”.


Dead Pop. “É um disco mais querido, ao menos pra mim, por ser o primeiro oficial. Muitas, muitas faixas caíram no gosto popular. Sua construção foi meio aos trancos e barrancos, tanto pela nossa inexperiência, quanto pelo fato de reunir material dos EPs que tinham que casar obrigatoriamente com as faixas novas pós-Urban Requiems. No meio do processo aconteceu de eu ir dar um tempo fora do país e isso embarre irou o processo... Teve ainda a saída do Max da banda, enfim. Acho o Dead Pop meio "classiquinho".

Como vc entrou no mundo da musica? “Desde pequeno eu escutava o que meus irmãos escutavam. Lembro da minha irmã escutando a K7 oficial de East of The Sun, West of The Moon do A-Ha, e dos vinis de pós-punk do meu irmão (U2, Police etc). Acho que foi por aí. Lembro que eu era pivete e tinha uma raquete vermelha, de plástico e fazia de guitarra, hehe. Eu curtia tentar reproduzir as vozes que eu ouvia, daí comecei a cantar naturalmente bem cedo. Comecei a aprender um pouco de cordas só com minhas primeiras bandas, já no meio pro fim dos 90's. Então, em termos práticos, pode-se dizer que entrei até meio tarde na parada.”

Já sonhou em ser musico, quem inspirou vc? “Airton. Ninguém em particular e ao mesmo tempo muita gente na música pop. Sei lá, de Michael Jackson até qualquer uma dessas últimas bandas que acabei de conhecer e curti.” Pinta sempre uma curiosidade, ainda mais pra mim que vivo tão longe da banda, Ainda não dá pra viver só da banda, o que mais vc faz? “Sou desenhista, publicitário, designer, edito livros e revistas também. Olha, até que daria pra viver de banda, sim. Mas isso ia implicar uma quedinha no meu padrão de vida e eu tenho minhas frescuras pra algumas coisas. De qualquer modo, a gente obteve um certo prestigiozinho que nos permite trabalhar nessa zona de conforto, essa coisa de não ter que prospectar muito e tocar por demanda, a qual, graças, tem rolado crescentemente.”

O que é o Plastique Noir na sua visão? É difícil trabalhar em equipe? “Uma banda de rock divertida, cheia de referências da cultura pop e erudita também, que gosta do que faz mas que também precisa eventualmente se abstrair da diversão cega pra fazer as coisas do jeito mais responsável. Sua segunda pergunta já entra nesse raciocínio: é difícil trabalhar em equipe quando a visão de alguém dentre nós passa a divergir em algum ponto a esse respeito, não encaixando nisso que defini em breves linhas.”

Isso me faz querer saber se é melhor tocar em festivais, ou em casas noturnas? “É diferente. Em festival normalmente o som é mais foda, o cachê é maior e o tratamento dado à banda é mais privilegiado. Por outro lado, o público é mais distante, frio. Acho que porque normalmente entramos na curadoria como azarões, aquela banda esquisitona em meio a tantas outras que vão do som regional ao rock mais aberto, sem rótulos. Já nas casas nós estamos no nosso habitat natural, ainda que a estrutura algumas vezes seja um pouco mais capenga.”

E qual a principal diferença da Cena Alternativa do Ceara, em relação às demais? (engraçado e que sempre achamos que é muito diferente) “Hoje em dia não muita. No fundo, os góticos paulistas, do Tocantins, do Mato Grosso do Sul, de Brasília e do interior do Nordeste só querem se divertir escutando o que curtem e dançando ao som do que gostam. No Ceará a coisa cresceu legal e se renovou desde há uns 3 anos atrás. O Dança das Sombras já se encaminha pro seu sétimo ano e as últimas edições tem bombado. Como disse, muita gente nova apareceu e isso é importante, porque trazem novos valores culturais e sociais e até resignificam outros tantos de outrora.”

A banda faz parte de diversas coletâneas, tem alguma em especial que gostaria de destacar? “Aí não sei. Como você disse, foram muitas. Talvez a do Rodrigo Helfenstein, a Retratos Subterrâneos, tenha sido especial porque foi um belo trampo, caprichado, teve repercussão na época e foi um termômetro das bandas góticas brasileiras daqueles meados dos anos 2000”.

Qualquer trabalho, para um publico tão restrito, não é fácil, já pensaram em desistir? (é só uma pergunta tá não façam isso). ”Airton Noir. Eu já. Sou o cara de 30 anos mais velho do mundo, cheio de crises antecipadas da meia-idade, hehe. Quando acontece de emendarmos as cidades, já de antemão me sinto cansado e começo a pensar na minha caminha, no meu quarto em Fortaleza. Mas não adianta, o troço vicia mesmo e no fim de semana seguinte lá estou eu de novo, montando palco, passando som etc.”

Quem mais faz parte do Plastique Noir, com quem vcs puderam o podem contar pra manter a banda ativa? “Babuê, sem dúvida. Nosso produtor é peça-chave, sem ele o troço não tem como funcionar, de jeito nenhum. Os fotógrafos que estão sempre nos cedendo seu trabalho de graça, a mídia, s fãs que movem a engrenagem toda, desde os que comparecem aos shows até aqueles das partes mais distantes do Brasil e do mundo que nos enviam seu feedback e amizade. Agradeço de coração a todos.” A entrevista me foi concedida em meados   hoje os meninos já estão pensando num novo álbum, pra quem quiser mais (aqui). Segue a discografia da banda.

Discografia

EPs, Urban Requiems (2006) [ relançado em 2008] ,Those Who Walk By The Night - The Remixes (2008)

Singles, Inconstancy (2008)

Demos Offering (2005)



Bjs Naty Fênix

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